Se arrependimento matasse, estaríamos assistindo ao velório do ministro Sérgio Moro

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

O ex-juiz Sérgio Moro vive uma terrível fase de inferno astral. Fazia uma carreira esplendorosa, já se tornara uma das personalidades mais importantes do mundo, mas cometeu um gravíssimo erro e agora tudo está desabando sobre sua cabeça. Seu maior inimigo chama-se Rodrigo Maia, que comanda a bancada da corrupção, amplamente majoritária no Congresso Nacional, cujo objetivo é esvaziar a Lava Jato e destruir o que resta do trabalho de Moro e dos demais juízes da Lava Jato, que levaram adiante o esforço concentrado e incessante das forças-tarefas, formadas pela Polícia Federal, Procuradoria e Receita.

Moro cometeu um tremendo erro de avaliação. Julgou que, ao assumir o Ministério da Justiça, poderia fortalecer a Lava Jato, mas isso não aconteceu. O trabalho das forças-tarefas não depende mais de ninguém, passou a se desenvolver automaticamente, embora os governos Dilma Rousseff e Michel Temer tenham tentado bloquear, através do corte de verbas.

GAROTO-PROPAGANDA – Moro entrou para valer na função de ministro e apresentou um moderno e eficiente projeto anticrime, pensando que o governo iria se empenhar pela aprovação. Mas se enganou, sua proposta não é prioridade.

Ao mesmo tempo, passou a ser usado pelo presidente como uma espécie de “garoto-propaganda” do governo. O presidente faz questão de levá-lo em todas as viagens internacionais, quando diz os maiores disparates e fica parecendo que Moro concorda com as barbaridades do suposto “Mito”.

E a situação vai ficando cada vez mais embaraçosa para o líder da chamada República de Curitiba, que se transformou numa espécie de “escudo” para Bolsonaro.

ATAQUES DE MAIA – Mais constrangedor ainda é Moro ser atingido por ataques de Rodrigo Maia, um deputado investigado por receber propinas e caixa 2 de empreiteiras. Como se sabe, há alguns dias o ministro da Justiça se julgou no direito de defender que a Câmara examinasse simultaneamente a reforma da Previdência e o pacote anticrime. Foi o que bastou. O presidente da Câmara simplesmente o esculhambou, dizendo que Moro não entendia da política e acusando o ministro de ter plagiado a proposta de Alexandre de Moraes, do Supremo.

Maia mentiu propositadamente, porque os projetos são muito diferentes. As sugestões de Moraes sequer incluem prisão após decisão de segunda instância. O ponto em comum é um maior rigor nas penas e na progressão, o que é o óbvio ululante tão perseguido por Nelson Rodrigues.

Moro teve de engolir as mentiras de Maia, aceitou um encontro com o senhor dos anéis da Câmara, mas já sabe que seu pacote anticrime não passará, como diria La Passionaria.

ESTRATÉGIA – Regida pelo maestro Maia, a Câmara vai adotar uma estratégia ardilosa, aprovando um projeto híbrido, bastante rigoroso contra os crimes dos narcotraficantes e assemelhados, mas absolutamente omisso quanto a corrupção política.

Como recordar é viver, precisamos lembrar que no início do governo Temer o deputado Rodrigo Maia já presidia a Câmara e pautou de surpresa, numa sessão de segunda-feira à noite (algo verdadeiramente inusitado) a votação de um projeto arranjado às pressas do arquivo, que nem autor conhecido tinha, e essa armação tinha o objetivo de anistiar o caixa 2.

Só não funcionou porque havia dois experientes deputados no plenário, Ivan Valente (PSol-SP) e Miro Teixeira (Rede-RJ), que perceberam e denunciaram o golpe contra a Lava Jato e Maia teve de retroceder.

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