Primeiro desafio de Moro será propor se Paulo Guedes deve ser demitido ou não

Em recente entrevista ao “Fantástico”, o juiz federal Sergio Moro, que tem carta branca do presidente Jair Bolsonaro para combater corrupção, afirmou que deve atuar como conselheiro do futuro chefe de governo para decidir pela demissão ou não de outros integrantes do primeiro escalão, acusados de irregularidades. Moro adiantou que qualquer ministro envolvido em irregularidade pode ser demitido antes mesmo de formalizada a denúncia pelo Ministério Público.

“Se a denúncia for consistente, sim (será demitido). Eu defendo que, em caso de corrupção, se analise as provas e se faça um juízo de consistência, porque também existem acusações infundadas, pessoas têm direito de defesa. Mas é possível analisar desde logo a robustez das provas e emitir um juízo de valor. Não é preciso esperar as cortes de Justiça proferirem o julgamento”, disse Moro.

TEORIA E PRÁTICA – Na entrevista, Moro salientou que uma das premissas de sua decisão de participar do governo é não deixar que casos de corrupção comprometam sua biografia. “O que me foi assegurado e é uma condição… não é bem uma condição, não fui estabelecer condições, mas eu não assumiria um papel de ministro da Justiça com risco de comprometer a minha biografia, o meu histórico — afirmou o juiz, que esteve até o final de outubro à frente da Operação Lava-Jato e defende maior rigor na punição de crimes de “extrema gravidade”.

É claro que o juiz Moro falou na teoria, porque na prática as coisas não acontecem bem assim. O caso mais delicado até agora envolve o superministro Paulo Guedes, que vai depor ao Ministério Público Federal no próximo dia 5, em inquérito aberto para apurar irregularidades em investimentos de fundos de pensão.

GESTÃO FRAUDULENTA – Guedes é suspeito de cometer crimes de gestão fraudulenta e temerária à frente de Fundos de Investimentos (FIPs) que receberam R$ 1 bilhão, entre 2009 e 2013, de fundos de pensão ligados a empresas públicas. Também está sendo apurada a emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias.

A investigação, conduzida pela força-tarefa Greenfield, foi aberta com base em relatórios da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) que apontam indícios de fraudes nos aportes feitos pelos fundos de pensão em dois Fundos de Investimentos (FIPs) criados pela BR Educacional Gestora de Ativos, empresa de Paulo Guedes.

Em um dos FIPs, que recebeu cerca de R$ 400 milhões, Guedes ganhou 1,75% sobre o valor aportado pelos fundos de pensão logo após o investimento.

COMPRA SUSPEITA – Esse mesmo FIP de Guedes, segundo a Previc, pegou os valores recebidos dos fundos de pensão e aplicou na empresa HSM Educacional, controlada pelo próprio Guedes, que usou os recursos para adquirir 100% da companhia HSM Brasil, voltada a projetos educacionais e palestras. Como não era uma empresa listada na Bolsa, o investimento foi feito tendo como base apenas o laudo produzido por uma consultoria.

Em tradução simultânea, Guedes pegou o dinheiro dos fundos de pensão, aplicou em sua própria empresa HSM Educacional e com os recursos comprou a USM Brasil, que deu um rombo colossal no dinheiro dos trabalhadores das estatais Caixa Econômica, Correios, Banco do Brasil e BNDES. A acusação é essa e o problema vai cair no colo do juiz Moro, igual a bomba do RioCentro.

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