O empate da seleção não foi nada bom, mas desanimar é muito pior

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Gabriel de Jesus sofreu pênalti, mas o juiz não marca

Pedro do Coutto

Claro, o empate com a Suíça não pode ser considerado um bom resultado para a Seleção Brasileira. A lentidão da equipe nas saídas de bola facilitou a marcação dos suíços. A arbitragem nos prejudicou, mas são coisas do futebol. Nossa atuação foi apenas regular, troca de passes muito curtos reduziu nosso espaço. Mas não devemos desanimar.

Por falar em desânimo, pesquisa do Datafolha publicada na edição de ontem da Folha de S.Paulo, analisada por Ana Paula de Souza Pinto, revelou uma realidade muito ruim para o Brasil: 62% dos jovens estariam dispostos a sair do país se tivessem condições para tal. Esses 62% da juventude correspondem a média geral de 43%. Portanto, quase a metade da população brasileira encontra-se insatisfeita com o governo e com a política de modo geral.

PESSIMISMO – Consideram-se jovens, para efeito de pesquisa os que têm de 16 a 34 anos de idade. Trata-se de um problema que necessita ser combatido pelos governantes, uma vez que num clima de pessimismo como esse torna-se quase impossível acreditar no futuro ou projetar ideias construtivas para a população.

A sociedade do país, neste momento, acentua uma sensação de descrédito em torno de si, plenamente procedente. Porque, afinal de contas, todos concordam que nas duas últimas décadas a economia brasileira foi diretamente assaltada por vários bandos de ladrões.

Apesar de alguns poderosos estarem presos, o que não deixa de representar um fato inédito na história do país, a questão dominante é que o desânimo decorre da falta de qualquer perspectiva de recuperação, como ressaltam, por exemplo, as pesquisas eleitorais, tanto as do IBOPE quanto as do Datafolha.

PRESIDENTE CORRUPTO – Imaginar que um presidente da República seria alvo de duas denúncias de corrupção configuradas pelo Supremo Tribunal Federal e que só não tiveram consequência porque a Câmara barrou a licença para seus processos, isto já representa um fato altamente negativo. E não só isso. Estamos na véspera de uma terceira denúncia. Como se isso não bastasse, um ex-presidente da República encontra-se preso cumprindo sentença da Justiça. Por aí se vê a que ponto desceram os conceitos de honestidade no Brasil.

O maremoto da corrupção chegou a abalar fortemente os alicerces da Petrobrás, tornando-se desnecessário citar o caso do BNDES que em 2005 liberou crédito de 8 bilhões de reais para o grupo JBS. Empréstimo com juros favorecidos acentuadamente.

Enquanto os assalariados perdiam a corrida contra a inflação, empresários como Joesley Batista e Marcelo Odebrecht irrigavam com dinheiro fontes do poder nacional. Na realidade, a corrupção atingiu o grau de uma epidemia alucinada e alucinante, na medida em que os agentes da corrupção, tanto os corruptos quanto os corruptores. perdiam a noção de qualquer limite.

SALÁRIO EM BAIXA – Enquanto isso a população do país tinha seus vencimentos oriundos do trabalho rebaixados seguidamente. De forma disfarçada, mas real, uma vez que os reajustes ficavam abaixo da inflação do IBGE.

Por fim, o desemprego atingiu a escala que varia entre 12 a 13% da mão de obra ativa do Brasil. Estamos assistindo a um desemprego que atinge duramente 12,5 milhões de brasileiros e brasileiras. É demais.

Mas torcer contra o Brasil é pior ainda.

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