No Futebol e na Copa, o jogo se ganha no campo, ninguém vence na véspera

Copa 2018: Argentina e Islândia. Hannes Por Halldorsson, da Islândia, defende pênalti batido pelo argentino Lionel Messi.

Halldorsson defendeu o pênalti batido por Lionel Messi

Pedro do Coutto

Neste domingo, a partir da 15 horas, a seleção brasileira enfrenta a Suíça e dá início à jornada pela conquista do hexacampeonato. Os exemplos da história esportiva comprovam plenamente a certeza de que as partidas se ganham no campo e nenhum time ou seleção vence na véspera. Dentro de algumas horas, a bola vai rolar para a seleção que foi de ouro e que hoje retoma a caminhada para reconquistar a posição que sempre ocupou nos gramados do mundo e que sofreram forte rebate em 2014 com nossa derrota para a Alemanha.

Mas este episódio não deve influir no ânimo dos brasileiros porque na final de 2002 no Japão derrotamos a Alemanha por 2 X 0, dois gols de Ronaldo Fenômeno. O episódio deve ser remetido ao passado, não devendo servir para prejudicar nosso time aumentando um complexo de desforra. A desforra é contra todos os adversários inscritos na Copa do Mundo da Rússia.

CAPACIDADE – Vamos entrar confiantes em nossa capacidade tática e técnica de tornar criativa a disputa em torno da bola. Não somos favoritos, favorita é a realidade mágica do próprio futebol. Mas eu disse que ninguém vence na véspera. Estão aí, para citar apenas três os exemplos de 50, 54 e 74. Em 1950 o Brasil era franco favorito contra o Uruguai. Em 54 a Hungria foi para a final contra a Alemanha certa da vitória. Perdeu por 3 X 2. Em 74 a Holanda era franca favorita, porém na final Alemanha conquistou o título por 2 X 1. Dois a um também foi a vitória do Uruguai sobre nós na tarde de 16 de julho de 1950.

Ontem, sábado, tivemos mais um exemplo de que equipe alguma ganha na véspera: Argentina e Islândia empataram em 1 X !. A Islândia tem uma população de 330 mil habitantes. O número de moradores de Copacabana, por exemplo, deve situar-se por aí. A magia do futebol e que torna grande parte dos resultados imprevisíveis, está no fato de ser o único esporte em que um adversário pode influir diretamente no desempenho do outro. A técnica e a arte com a bola exigem espaço para se efetiva. Isso faz com que o desempenho tático seja capaz de neutralizar a atuação de uma equipe tecnicamente superior a outra.

CONSTATAÇÃO – Mistério do futebol? Nada disso, apenas constatação de uma realidade que cada vez mais se afirma no mundo das competições. A Islândia, por exemplo, ocupou mais intensamente os espaços do campo contra a Argentina, seleção admirada por seus passos precisos e impulsos de rara beleza no trato com a bola. A tática, entretanto, retirou a diferença entre as duas seleções.

Na sexta-feira, o Uruguai encontrou enorme dificuldade para vencer. Outros exemplos poderiam ser citados, mas seria desnecessário. Portanto, devemos estar confiantes na nossa capacidade de vencer a Suíça, mas não devemos exagerar no otimismo. O otimismo exagerado tem sido a causa de muitas derrotas registradas na memória do esporte.

Devemos entrar com firmeza e confiança, porém sem esquecer que a vitória depende de nós mesmos e da capacidade da Seleção enfrentar os obstáculos que se encontram na estrada. Vamos em frente esperando vencer e sobretudo convencer a nós mesmos do brilho de uma seleção que se empenha em retomar o título maior do futebol mundial.

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