Na eleição presidencial, mais uma vez o eleitor terá de escolher “o menos pior”

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Ilustração reproduzida de O Globo

Carlos Newton

Por enquanto, ainda estamos na fase das aparências que enganam, o jogo eleitoral ainda não é para valer. Tem tanto candidato fajuto à Presidência da República que até fica difícil lembrar todos eles. A grande maioria apenas brinca de fazer política, está somente à procura daqueles 15 minutos de fama de que falava o artista plástico e animador cultural Andy Warhol.

Neste artigo, porém, não vamos lhes dar este prazer, porque só falaremos em quem realmente pretende disputar os votos, e os falsos candidatos ficarão fora de foco, não têm realmente a menor importância, não fedem nem cheiram, como se dizia antigamente.

BOLSONARO, AUTOCARBURANTE – Com Lula fora de campo, o capitão da reserva Jair Bolsonaro (PSL) tinha tudo para se consagrar e ganhar esta eleição, mas ninguém sabe até onde poderá chegar. Quando é entrevistado, mostra vocação para fazer piadas, mas sua criatividade é autocarburante, incendeia sua imagem.

Suas brincadeiras politicamente incorretas com negros, mulheres e gays só fazem dificultar sua ascensão. Cada vez que abre a boa, está arriscado a perder eleitores. Pode um candidato a presidente dizer que usava a verba do auxílio-moradia para “comer gente”?

Esta semana, já em plena campanha, quando se esperava que contivesse a verborragia, disse que “os gordinhos acabam virando mariquinhas”. Será que ganhou algum voto com isso? O que pensam deles os gordinhos e os mariquinhas? Com esses disparates, Bolsonaro perde mais votos do que ganha. Mesmo assim, lidera as pesquisas.

MARINA MORENA – A candidata Marina Silva (Rede) é um fenômeno. Há oito anos não trabalha, mesmo assim amealhou  recursos para criar seu próprio partido, que é um fracasso monumental. Parcela importante do eleitorado simpatiza com ela. Embora na pesquisa espontânea (“Em quem você vai votar”), não chegue a 1% dos votos, quando é exibida a lista de candidatos ela passa de 10%, ninguém sabe o motivo.

Segundo diferentes pesquisas, o mais curioso é que se trata de um fenômeno político também no segundo turno, no qual Marina derrota todos os rivais,  embora nenhum eleitor possa saber ao certo o que ela pretende fazer se ganhar a Presidência – salvo impedir a todo custo a construção de hidrelétricas, como ela fez quando foi ministra, embora soubesse que essas usinas são fundamentais para baixar o custo da energia.

CIRO, O ESTRANHO – Ciro Gomes é um candidato estranho. Diz que simpatizava com a esquerda católica, mas entrou na política pelo PDS (ex-Arena), partido de seu pai, que era prefeito. Depois, foi para o PMDB, virou fundador do PSDB, junto com o amigo Tasso Jereissati. Ex-professor de Direito Tributário, é preparado e experiente, não há dúvida, mas tem o mesmo problema de Bolsonaro – também é autocarburante. A qualquer momento pode fazer uma declaração infeliz e colocar fogo no castelo.

É a segunda vez que concorre a Presidência com chances de vencer. Se tivesse apoio do PT, seria o favorito, mas isso só pode acontecer depois que a candidatura de Lula for recusada, no fim do primeiro turno. Por isso, está buscando apoio no PSB, DEM e PP, para compor uma campanha Frankenstein, misturando chiclete com banana, que pode dar certo ou não.

GERALDO, O ALQUIMISTA – É um político sem carisma, que chegou por acaso ao poder, ao ser escolhido vice de Mário Covas. Soube administrar o legado tucano em São Paulo, se reelegeu, mas foi um fracasso ao disputar eleição contra Lula. Pela primeira vez, um candidato presidencial teve menos votos no segundo turno do que no primeiro.

Com a derrocada moral e cívica do candidato Aécio Neves e a falta de uma liderança verdadeira no PSDB, Alckmin se apresenta de novo à Presidência na mesma condição de Marina Silva e Ciro Gomes, sem alcançar 1% dos eleitores na pesquisa espontânea, que vem sendo vencida pelos indecisos (46%), seguidos pelos brancos e nulos (23%).

Ninguém aposta nele, nem mesmo os tucanos, que parecem enjoados de tanto picolé de Chuchu.

ÁLVARO DIAS, O ENIGMA – Neste deserto de homens e ideias imortalizado por Oswaldo Aranha, o senador Alvaro Dias (Podemos) poderia ser um candidato alternativo, mas sua campanha é tímida, insiste numa tese abstrata de “refundar a República”, quando os eleitores querem saber medidas concretas sobre segurança, moralidade, emprego e saúde, que são os temas explorados pelo favorito Bolsonaro.

No mesmo erro incorre Henrique Meirelles, novato em política, que em 2003 “comprou” uma eleição de deputado federal em Goiás e foi recordista em votos, sem fazer campanha. Na realidade brasileira, dinheiro compra qualquer eleição proporcional, mas na disputa majoritária a coisa fica difícil.

Meirelles quer convencer o eleitor dizendo o que já fez pelo país, mas essa estratégia não lhe dará votos, é ingenuidade insistir.

EM BUSCA DO MENOS PIOR – Os outros candidatos devem ficar no freezer, especialmente os empresários Flávio Rocha (PRB) e Josué Gomes (PR), que apenas pretendem ser famosos. Outros supostos concorrentes, na condição de políticos profissionais – como Rodrigo Maia (DEM), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Aldo Rebelo (SD) e Fernando Collor (PTC) –, são cavalos paraguaios que não chegam nem a levantar poeira.

E os eleitores, mais uma vez, terão de escolher o mesmo pior. Como diziam os comunistas na Era Vargas, teremos de votar tapando o nariz, para não sentir a fedentina.

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