Institutos de pesquisa deviam apurar as tendências eleitorais por classe social

Pedro do Coutto

É exatamente isso que se encontra no título desta matéria, uma ideia que deixo aqui para ser apreciada. A divisão por classes sociais é fundamental para que as tendências eleitorais possam ser observadas com maior nitidez. Quase sempre a tendência registrada nos grupos de renda mais alta é diversa da constatada nos grupos de menor renda. Trata-se, assim, de aplicar uma visão com base na média, a partir dos índices expostos para cada classe. Trata-se de uma média algébrica e não de uma média aritmética. Os pesos proporcionais não são os mesmos. Isso porque os grupos majoritários são aqueles mais sensíveis às ações paroquiais.

Mas essa colocação refere-se com mais intensidade aos votos para deputados federais e estaduais. Nos pleitos majoritários, os chamados currais eleitorais perdem-se no oceano das disputas. Pois não é possível praticar um mesmo sistema num eleitorado de praticamente 100 milhões de pessoas.

DEPENDEM DA CANETA – Há problemas cuja solução depende de ações executivas e não de ações legislativas, estas podem servir de base para as decisões do presidente da República e dos governadores. De qualquer forma as decisões finais sempre dependem da caneta dos governantes.

As pesquisas que têm sido publicadas, como Ibope, Datafolha e Big Data, têm apresentado uma convergência generalizada, apontando as preferências em torno de Bolsonaro e Marina Silva e logo atrás Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Álvaro Dias registra índices que variam de 3 a 4%. Os demais candidatos ficam abaixo dessa linha e praticamente estão contidos, sem decolar no piso de 1 ponto. Mas isso não reflete ainda tendências definidas. Pode haver mudanças porque o desempenho dos candidatos pode definir o rumo das indecisões que devem baixar de patamar. Aí entra a importância da divisão por categorias sócioeconômicas.

QUEM NÃO VOTA – São elevados os índices relativos aos que votarão em branco ou anularão o voto, e todos os candidatos sonham em vencer essa barreira, o que seria mais fácil se as pesquisas identificassem as tendências de hoje pelas divisões nas categorias da sociedade que acabei de citar.

Com base em tantas pesquisas através das décadas, a realidade é que as indefinições maiores encontram-se nas faixas de menor escolaridade e de menor poder aquisitivo. Uma pesquisa recente, da Big Data, apontou uma soma enorme de eleitores que não se motivou ainda para escolher seu candidato. A tarefa é difícil, pois a campanha atual não apresentou até agora motivos para maiores entusiasmos. Porém, esse distanciamento tende a se encurtar. Mas o mais importante é que o eleitorado de renda mais alta decide mais rapidamente em qual candidato votar.

NA ÚLTIMA HORA – Ao contrário, as classes cuja remuneração mensal é de 1 a 3 salários mínimos deixa sempre para decidir na semana final das campanhas.

Os eleitores de renda mais alta são minoria, basta dizer que 50% do eleitorado brasileiro ganham mensalmente de 1 a 3 salários mínimos. Portanto, tais categorias são amplamente majoritárias.

De toda forma, com base em pesquisas abrangendo divisão por renda, tanto os partidos quanto os eleitores vão se situar melhor no panorama.

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