Governo oferece R$20 milhões em emendas a cada deputado que apoiar a reforma

Pedro do Coutto

Reportagem de Ângela Boldrini e Ranier Bragon, Folha de São Paulo de ontem, afirma que o governo Bolsonaro formulou uma proposta de liberar 20 milhões de reais em obras para cada deputado que votar favoravelmente o projeto de reforma da Previdência. Os dois repórteres acentuam que os 20 milhões serão parcelados: 10 milhões em um semestre e 10 em outro. 

Não se trata de transferir recursos direto para os parlamentares, mas sim verbas para obras públicas previstas no orçamento e que poderão revelar o nome do deputado em cada realização.

LIBERANDO GERAL – O MInistro Onix Lorenzoni por seu turno, iniciou contatos com líderes partidários, acenando com a liberação desses créditos, matéria de interesse, é claro, dos parlamentares. A promessa da colocação dos nomes vai ao encontro do desejo que naturalmente cada parlamentar tem de ver seu nome vinculado à realização de obras em cada reduto eleitoral.

Para mim, esta iniciativa comprova diretamente que o próprio Palácio do Planalto tem dúvidas quanto a aprovação da emenda constitucional que altera a Previdência Social. O projeto que se encontra na Câmara, segundo me informou Carlos Newton, o editor deste site, é bastante complexo. Muito longo e cheio de remissões que se destinam a mudar dispositivos do regime atual.  Digo eu que tal complexidade transforma praticamente o mistério semelhante à obra de James Joyce. Quero dizer que exige um estudo amplamente comparativo do que é hoje a Previdência e aquilo que poderá tornar-se amanhã caso o projeto seja aprovado.

As modificações, portanto, encontram-se ocultas pela cortina que cobre a tradução do texto integral. Somente ontem foi revelado que a mudança para o sistema de capitalização vai custar quase R$ 1 trilhão em 20 anos. Esse importantíssimo dado estava sob sigilo.

CAIXA RENEGOCIA – Enquanto isso, de acordo com a reportagem de Geralda Doca, em O Globo, a Caixa Econômica Federal está lançando um programa de renegociação de dívidas decorrentes do não pagamento das prestações da casa própria. A reportagem acentua que 60 mil imóveis foram retomados por falta de pagamento, e que as provisões para as perdas decorrentes da inadimplência elevam-se a cinco bilhões de reais.

Acrescenta Geralda Doca que a médio prazo a renegociação pode envolver até 600 mil residências incluindo o Minha Casa Minha Vida. O não pagamento reflete bem os efeitos do desemprego e de perdas salariais que conduzem à situação de insolvência dos que foram financiado pela CEF.

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